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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sarcasmo para iniciantes e uma despedida

Segundo o wikipedia:
Sarcasmo (do grego antigo σαρκασμός "sarkasmos" ou "Sarkázein"; Sarx=“carne” Asmo= queimar “queimar a carne”) designa um escárnio ou uma zombaria, intimamente ligado à ironia com um intuito mordaz quase cruel, muitas vezes ferindo a sensibilidade da pessoa que o recebe. A origem da palavra está ligada ao facto de muitas vezes mordermos os lábios quando alguém se dirige a nós com um sarcasmo mordaz. O sarcasmo é uma figura de estilo muito utilizada nas artes orais e escritas, designadamente na literatura e na oratória. Fiódor Dostoiévski foi um dos grandes representantes do uso deste recurso estilístico, definindo-o como " o último refúgio dos modestos e virtuosos quando a privacidade das suas almas é invadida vulgar e intrusivamente".
Ligação com a Ironia: Considera-se algo irônico ao comentário escrito ou oral feito por uma pessoa, designando exactamente o oposto daquilo que realmente se pretendia dizer. O sarcasmo e a ironia estão estreitamente ligados, ambas podem ser usados como figuras de estilo na retórica ou na literatura e ambas não correspondem àquilo que supostamente se pretenderia afirmar. A diferença entre estes conceitos está no fato de que o sarcasmo é sempre mais picante e mais provocador, enquanto que a ironia é uma simples contradição voluntária, com intuito menos áspero e feroz.

Quem me conhece, sabe que sou em 101% de mim uma pessoa sarcástica. Ou muitas vezes não sabe, e por isso me acha uma pessoa cruel e politicamente incorreta. Como diz ali em cima, Dostoievski usava sarcasmo. Machado de Assis usava sarcasmo (e muitas vezes cinismo, humor negro etc. e tal). Rubem Fonseca usa sarcasmo. E há pouco tempo atrás eu dizia gostar desses autores todos... bom, OBVIAMENTE, eu gosto de sarcasmo. E pra quem não sabe, Machado de Assis era uma ótima pessoa, pacífica, até onde se sabe. Dostoiévski não era pacífico - se meteu em montes de complicações políticas, foi preso, condenado à morte... por um ideal, pra ajudar as pessoas. Ser sarcástico é usar de forma zombeteira um discurso contrário ao seu. É daí que posso até ser cínica e dizer que criancinhas deviam trabalhar cortando cana - quando o que penso é, OBVIAMENTE, absolutamente o contrário - afinal, por que eu seria professora se achasse mesmo isso?
Ou seja, ser sarcástico não é igual a ser uma pessoa má (segundo Dostoiévski até o contrário, mas eu não vou dizer que uso sarcasmo por ser uma pessoa virtuosa, muito menos modesta... só uso porque é meu jeito de achar graça nas coisas de uma forma inteligente - nada modesta, está vendo? Talvez eu não goste de me vangloriar das boas coisas que faço pelas pessoas, acho que fazer essas coisas já devem me dar toda a satisfação necessária).
Da mesma forma, uma pessoa cujo discurso não é sarcástico e é politicamente correto, não é necessariamente uma boa pessoa. Muitas vezes, pessoas com esse tipo de discurso são quase sempre hipócritas (falam e aludem demais uma coisa, mas no fundo não fazem nada, por isso a necessidade de alardear - uma forma de fazer alguma coisa nem que seja só dizendo). Uma pessoa com a consciência limpa precisa ficar espalhando suas boas ações? Não sei...
Mas agora, por que eu digo isso? Porque estou cansada de me envolver em conflitos só porque uma pessoa não entende uma ironia. Vamos lá, pessoal, nem tudo na fala ou na escrita está só na superfície, façam um esforcinho pra perceber algo mais, uma figura de linguagem... uma pessoa que não entende sarcasmo, sim, recebe muito do meu desprezo, pra mim é um analfabeto funcional.
Meu pai é uma pessoa 102% sarcástica. Podia dizer que aprendi isso com ele, mas convivi pouquíssimo com meu pai. Acho que é de sangue. Se bem que meu irmão e mesmo minha mãe são sarcásticos. Vai ver o troço é contagioso... Se bem que (de novo!), meu padrasto é, nesse quesito, um analfabeto funcional. E, pra piorar, ao meu ver, uma pessoa sem senso de humor. Viver com ele era aborrecidíssimo, lembro de coisas como: meu padrasto falava, digamos... do mupy ser vendido na firma que ele trabalhava; minha mãe fala com um sorriso debochado algo como: porque era mais barato... e meu padrasto aumentava o tom numa defensiva ridícula: "Não diga isso, é claro que não é!", sem entender o tom irônico. Isso me cansa... responder uma atitude brincalhona - o que acho uma forma de carinho, tentar descontrair, fazer o outro sorrir e brincar com algo - com uma grosseria. Isso me lembra de outras coisas...
O ser humano, todo mundo gosta de trepetir, quadrupletir (como brinco com meus alunos...) que são seres cruéis. Pra mim são cruéis como um golfinho, "mas têm consciência", você pode dizer, "mas nem todos sabem usar...", digo eu, "dá no mesmo". São seres cruéis e pioram a crueldade quando estão fortes... e estar em maior número é força. Ultimamente tenho participado de um grupo que só tem entrado em desarmonia. Como se houvesse um cansaço ou uma busca agora, além de diversão, de marcar território e abusar do poder que conseguiu. Outro dia uma menina que tentou entrar no grupo foi escorraçada de forma cruel, por ser tapada. Ok, eu sei e falo na frente dela que ela é tapada, mas isso justifica crueldade? Eu acho que não... temos consciência, não? Mas não sabemos usar, como eu disse. É o mesmo que não ter... daí ser tão estúpido quanto um macaco ou um homem das cavernas.
Porque defendo as pessoas? Porque tenho mais consciência? Adquirida a força, admito. Vou narrar dois episódios que aconteceram comigo quando eu era pequena.
Na 4ª série eu não tinha muitos amigos e adorava as maiorais da sala. Um dia, uma das maiorais me tratou com carinho. Empolgada por isso, fiz durante o fim de semana um desenho todo carinhoso, colocando asinhas de anjo na menina que eu achava legal e entreguei pra ela na segunda-feira. Resultado: ela entregou meu desenho para a amiga e as duas começaram a rir de como "eu era idiota".
Dois anos depois, fiz colegas na rua em que eu morava e acabei fazendo delas grandes amigas. Naquela época eu era financeiramente dependente dos meus pais, nunca ganhei mesada e era duro conseguir do meu pai miserável um presente, ou mesmo da minha mãe. Mas um dia vi um daqueles cartões que se dá de presente, era daqueles que tinha uma "pílula" que colocada em água dissolvia, saía uma esponja de dentro formando uma palavra. A palavra era "amizade", era amarelo, minha cor preferida na época. Eu olhei praquilo com tanta cobiça que o dono do lugar, amigo do meu pai, acabou me dando um.
Foi tanta minha alegria, mal esperei juntar minhas amigas, dei o cartão pra elas e coloquei a pílula pra dissolver e fiquei esperando ansiosa pela "mágica". Apareceu o "amizade", eu sorri pra elas ansiosa, elas deram gargalhadas, me chamaram de ingênua e ridícula por aquilo.
Eu entendo que haja crueldade. Por exemplo, sua mulher te traiu e você bateu nela. Alguém com um distúrbio jogou o filho pela janela... mas retribuir com ódio alguém que só quis te dar amor... isso vai além da minha compreensão. Porém acontece. Por simples afirmação de um poder, independência.
O que tiro disso é que eu não me considero uma má amiga, que tenta magoar ou não entende os outros. Se a Djuli ler este meu recado, sabe que, mesmo sem muita intimidade, ela veio me contar coisas da vida dela que muitos (pessoas próximas, principalmente) tratavam com desdém e eu tentei compreender e conversar com ela. Duvido que ela me ache uma pessoa fria ou sem consideração. Só duas coisas me tornam fria: pessoas hipócritas e incompreensivas.
Deus sabe o quanto tento compreender todo mundo! Acho que Jesus quis dizer isso quando disse: amai o próximo. Isso inclui se pôr no lugar. Eu entendo que algumas pessoas tenham um perfil mais duro, outras são ruins pra escrever, mas eu TENTO ENTENDER sempre que toda pessoa tem um potencial. Eu posso até dizer: fulano de tal é feio. Mas se fulano de tal conversar comigo, ou parecer boa pessoa, e daí que ele é feio? Não vou passar a achar bonito, nem deixar de rir disso, mas eu entendo a pessoa e admiro o resto. Porque eu tenho defeitos, obviamente... e espero que entendam também. E que riam, podem rir, faz bem rir das coisas - eu mesma rio delas, de tudo. Mas não existem mocinhos e bandidos... nós somos os dois e vivemos brigando de bang-bang por dentro.
Eu tenho uma aluna que vive falando do pai morto nos momentos mais inoportunos. Eu estou falando sobre "loira do banheiro" - que minha mãe conhecia como "loira do algodão" - gênero conto popular - e de repente ela fala que o pai dela tinha algodão no nariz quando morto (ele morreu há anos atrás). Eu simplesmente ignoro, embora ache uma baixeza o que ela faz. Explico a baixeza: ela faz isso pra se fazer de vítima. Não fui só eu que reparei nisso ou sou insensível, o professor de matemática foi o primeiro a tocar nesse assunto - sei lá como ela acha jeito de falar do pai morto comparando com raiz quadrada... Pra mim há mais desrespeito querer ganhar fama por meio da morte de alguém - através de uma vitimização - do que sapatear na cova do defunto. Meu irmão me abusou sexualmente quando criança. Eu tiro sarro disso a torto e a direito. Mas não admito a mim mesma fazer disso uma coisa pra que sintam pena de mim, acho vergonhoso. Por isso o sarro, talvez. Mas, como eu dizia, por que cito isso? Porque mesmo sendo assim, a minha aluna está na 5ª série, obviamente ela não faz por mal ou tem consciência disso, eu compreendo. Todos os professores não gostam dela. Eu dancei com ela na festa junina - ela me pediu, me senti feliz pela preferência. E ela é uma ótima contadora de histórias, já disse isso pra ela, creio que isso é o que deve ser valorizado, e não os defeitos, por mais que eu não goste deles.
Agora às despedidas. Como eu disse, eu tento compreender e acabo gostando e me dando bem com muita gente. Mesmo a Queen, que é uma louca, eu gosto dela. Por outro lado, tem gente com quem não consigo conviver, pessoas contrárias a mim - pessoas demasiadamente grossas e arrogantes. Sou libriana, diplomática e adoro harmonia. Gente que busca motivo pra agir com cu azedo com tudo pra mim é o fim do mundo porque tira a harmonia das coisas. E é por isso que bloqueei o chat do grupo a que me referi aqui. Gosto muito da Kizumo, da Raki, da Flávia, da Julia, do Rafix, da Valeska, da Hannah, da Luana, da Rapha, da Amanda, da Babi (embora aluada, é carinhosa, acho isso essencial!) enfim... de uma porção de gente. Mesmo a Dami e a Gabi que são duras na crítica, acho produtivo esse lado delas. Mas adolescente revoltado eu aturo e tento consertar no trabalho, na minha diversão eu prefiro algo mais agradável, isso é compreensível, eu imagino.
Eu sou muito sensível a desentendimentos. Em dias que isso acontece (como ontem) não durmo, tenho ânsia de vômito e fico com torcicolo. É um defeito meu dar importância demais aos relacionamentos e eu já entendi que sou idiota por isso.
Enfim, vou bloquear o chat, mas não as colegas que acho que tenho adicionado por meio dele. As que acham que não são minhas colegas, fiquem à vontade de me bloquear também. Espero ter mais tempo agora pra me dedicar escrevendo, lendo e jogando algum jogo idiota pra distrair. Quanto a este blog, continuarei frequentando, e à comunidade obviamente também, já que sou moderadora e tudo.
É isso, obrigada a quem teve paciência de ler mais uma das minhas epopeias... xD