segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pra mudar de assunto mas ainda no mesmo sentido...

Um dia de merda...

Luis Fernando Veríssimo (verídico)
Acha seu dia às vezes
difícil?
Então leia este fato verídico. Aeroporto Santos
Dumont, 15:30.

Senti um pequeno mal estar causado por uma cólica
intestinal, mas
nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas,
atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão,
de onde
partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas.
Afinal de contas
são só uns 15 minutos de busão. "Chegando lá, tenho tempo
de sobra
para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo, o avião só
sairía às 16:30".
Entrando no ônibus, sem sanitários, senti a primeira
contração e tomei
consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês
e que faria um
parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto.
Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil falei:
"Cara,
mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque
preciso largar
um barro.
"Nesse momento, senti um
urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade
para trabalhar e
segurei a onda.
O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu
desespero, uma voz disse pelo alto falante: "Senhoras e
senhores, nossa
viagem entre os dois aeroportos levará em
torno de 1 hora, devido a obras na pista. "Aí o urubu ficou
maluco
querendo sair a qualquer custo.
Fiz um esforço hercúleo para segurar o
trem merda que estava para chegar na estação anus a qualquer
momento.
Suava em bicas.
Meu amigo percebeu e, como bom amigo
que era, aproveitou para tirar um sarro.
O alívio provisório veio
em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por
enquanto as
coisas tinham se acomodado.
Tentava me distrair vendo TV, mas só
conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas
com um vaso
sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar
seu almoço nele.
E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e
perfume
e, ops, senti um volume almofadado entre
meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado,
que havia cagado.
Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao
seu autor.

Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes
e convidá-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava
pra expor em
uma bienal.

Mas sem duvida, a situação tava tensa.

Olhei
para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e
confessei sério:
"Cara, caguei."

Quando meu
amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me
a relaxar, pois
agora estava tudo sob controle.

"Que se dane, me limpo no aeroporto",
pensei, "Pior que isso não fico".

Mal o ônibus entrou em movimento,
a cólica recomeçou forte.

Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude
evitar, e sem muita cerimônia ou
anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como
uma pasta
morna.

Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando
a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha,
calças, meias e
pés.

E mais uma cólica anunciando mais merda, agora
líqüida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a
liberdade.

E depois um peido tipo bufa, que
eu nem tentei segurar.

Afinal de contas, o que era um peidinho para quem
já estava todo cagado...

Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa.


E me caguei pela quarta vez.

Lembrei de um amigo que certa vez
estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na
cueca, mas colocou
as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo
levou metade dos
pêlos do rabo junto.

Mas era tarde demais para tal artifício absorvente.


Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna
poderia
me ajudar a limpar a sujeirada.

Finalmente cheguei ao aeroporto e
saindo apressado com Passos curtinhos, supliquei ao meu
amigo que apanhasse
minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário
do aeroporto
para que eu pudesse trocar de roupas.

Corri ao banheiro e entrando
de boxe em boxe, constatei falta de papel higiênico em todos
os cinco.

Olhei para cima e
blasfemei: "Agora chega, né?"

Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei
a roupa toda para analisar minha situação (que concluí como
sendo o fundo
do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e
cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia.

Meu
amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o
"check-in" e ia correndo
tentar segurar o vôo.

Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma> maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte.


"Ele tinha despachado a mala com roupas". Na mala de mão só
tinha
um pulôver de gola "V".

A temperatura em Miami era de
aproximadamente 35 graus.

Desesperado
comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum
modo,
aproveitáveis.

Minha cueca; joguei no
lixo. A camisa era história.

As calças estavam deploráveis e
assim como minhas meias, mudaram de cor
tingidas pela merda.

Meus sapatos estavam nota 3 , numa escala de 1 a 10. Teria que
improvisar.

A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma
simples privada em uma magnífica máquina de lavar.

Virei a calça do
lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte
atingida na água.

Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se
desprendeu. Estava pronto para embarcar.

Saí do banheiro e
atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque
trajando sapatos
sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura
ao joelho (não
exatamente limpas) e o pulôver gola "V",
sem camisa.

Mas caminhava com a dignidade de um lorde.

Embarquei
no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o
"RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO" e atravessei todo o
corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria.

A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo.

Eu cheguei a
pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o
cheiro de fossa
transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas
decidi não pedir: "Nada, obrigado ."


Eu só queria esquecer este dia de merda.

Um dia de merda..

5 comentários:

Luana Lopes disse...

geeente, eu ri muuutio disso xD
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
muito bom! \o/

Djuli- Thats what she said disse...

Cronica fantastica!! Risadas garantidas SEMPRE!!

d:-D

Marcely disse...

eu acho que esse conto NÃO é do Veríssimo...

Marcely disse...

eu tenho certeza que essa CRÔNICA não é do Veríssimo.
é da Dercy xD
Mentira. Na comu do LFV eu vi isso:
Um Dia de Modess (Rolinha)
Será que é?

=* (agora sim, vou continuar a ler o texto xD)

jerssika! disse...

puts ameei o textoo *-*