quarta-feira, 20 de maio de 2009

Eugenia por uma questão de classe

Durante toda a minha vida, meu sonho foi ser professora. Começou assim: a minha mãe, que é de uma religião extremamente machista, não via outra possibilidade de trabalho para uma mulher além de ser secretária, dona de casa ou professora. E foi assim que ela me incentivou, me comprando lousinhas, giz e apagador, mostrando o quanto ser professora era bonito, criando toda uma expectativa para mim.
Eu, impulsionada por isso, adorava dar minhas aulas – geralmente para a parede. Adorava fazer até a chamada (com os nomes mais legais e realistas possíveis). Dar aula pra mim era sinônimo de prazer. Falar e ser ouvida, era tão incrível! Falar e ser ouvida... Agora eu sei que ser professora é falar. O ser ouvida é outros quinhentos. Agora que eu sou MESMO professora e passada a empolgação do início eu percebo que dar aula é um grande prazer se você fala com uma parede e não tem o compromisso de ensiná-la. Porque falar para as paredes e ainda esperar resultados é um saco. Porque passar sua vida estudando e dando o seu melhor, preparando as melhores aulas pra chegar na prática e ver tudo ir por água abaixo porque um marginal burro e imbecil chama a atenção de todos os outros mongoloidinhos – e você, intelectualmente superior, cheia de boa vontade e empolgação perde para um ser com cara de Dino da família dinossauro que fica cantando rap olhando pra trás em voz alta.... Bom, tudo isso é FRUSTRANTE! Sim, eu me frustro sempre. Ao escolher literatura para passar pros meus alunos, passei o romance do Dostoievski Noites Brancas (pra 8a série). Ao reler o livro percebi porque gosto dele: eu sou igualzinha aos personagens. Eu sou uma sonhadora, uma romântica! E como sonhadora romântica, sim, eu esperava dar aulas de literatura e fazer o povo se empolgar e começar a ler e ao fazer discussões inteligentes, não seria por uma mongolice que eu perderia a atenção. Mas na vida real o bem não vence o mal, a inteligência não supera a imbecilidade generalizada. E na vida real, você acorda cedo, você tem que economizar e comer comida sem graça, tem que lavar a louça, limpar a bunda, ficar horas num ônibus, existe o tédio, a rotina, a falta de prazer constante. A vida não é um romance enlouquecedor, você não viaja para longe, não se apaixona pra sempre, não vive situações limites que te fazem viver alucinadamente. Não, a vida é um saco (assim como dizem que disse Flaubert: "eu sou a Emma". Eu sou a Emma e vou comer arsênico porque a vida não tem o transporte romântico que eu sonhava pra mim...). Se não bastasse ser medíocre, a parte chata (preparar aula, acordar cedo, estudar, se revisar, sorrir sem querer sorrir, andar sem querer andar) NÃO É RECOMPENSADA! Minimamente, talvez. Sim, alguns alunos se interessaram por ler os livros que levei, riram da crônica do Machado, do conto do Rubem, se empolgaram pra saber quem matava no Nome da Rosa. Mas não vai muito adiante, você pode no máximo esperar que eles riam, que eles reajam ou até se interessem. Mas QUE PENSEM?? Pensar, professora? Desde quando pensar levou alguém a algum lugar? No máximo os pensamentos instintivos. Pensar demais, diria meu Álvaro de Campos – e o Alberto Caeiro concordaria –, talvez, pelo contrário, leve à morte.
Eu estou cansada. Física e principalmente psicologicamente. Não tem sono que me devolva todas as minhas energias. Se eu sonho, eu sonho com as constantes falhas do ensino, com a impertinência de alguns seres humanos que deveriam ser anulados da face da Terra (FODA-SE, FODAAAA-SE a nova pedagogia ou a "diversidade". Ao caralho com isso! Então políticos corruptos e estupradores de criancinhas são DIFERENTES e não pessoas desagradáveis que queremos longe? Dane-se a doença: se é hiperativo ou psicopata. São pessoas que atrapalham o desenvolvimento da espécie como um tumor e deviam ser EXTIRPADAS como já diziam meus amigos nazistas.) Agora sem brincadeira, não é nazismo! Uma coisa é ser diferente: branco, negro, ter cabelo verde, ter um tique nervoso, ser daltônico, mais inteligente pra física, mais inteligente pra geografia, menos inteligente pra história... sei lá! Outra coisa é ser mau caráter. Já dizia a própria natureza quando os homens de Neandertal se extinguiram: você não presta, você não é capaz de ter e expressar uma linguagem, você não sobreviverá porque é um incapaz. Se uma pessoa só atrapalha as demais não deveria existir. Já é uma bosta existir por si só, ainda vem outro (que ainda por cima é um chupim) e te atrapalha? Ah, pra puta que o pariu com isso! Se um dia eu tiver um filho hiperativo eu frito em azeite de oliva com sal e ervas finas e dou pras boas criancinhas famintas comerem. Quero ver dizerem que isso é imoral ou antiético! As pessoas precisam revisar seu conceito de bom e de mau.


Ps: isso foi só um desabafo pra ver se eu paro de ter pesadelos com o Dino e extravaso um pouco, juro que falei brincando a maioria das coisas e não sou eugenista – só pra esclarecer.

5 comentários:

Queen of Madness disse...

Eu te amo Ma...
Te amo...
Te adimiro...
Te invejo...
Te venero...

Simplesmente não fez demagogia, vc disse o que muitos da sua profissão tem vontade de gritar...

Eu adorei o post,. sério mesmo, demais...

O mundo é uma bosta... E eu vou fazer como a Emma...

Blueberry disse...

Faz não, Queen... a morte dela foi horrível! =/
Faz como o Flaubert, vive e escreve! xD

Luana Lopes disse...

caramba...Marce esculachou o pivete O_O'

mas é justo...só de ler deu pra odiar ò_ó
força Marce! =)

Angell disse...

Marce, é infeliz essa realidade na educação, eu trabalhei numa escola particular de inglês como prof auxiliar e não era muito diferente não, tinha neguinho que ia pra aula pq o pai levava e ficava lá ouvindo música e reclamava quando eu pedia pra ele abrir o livro.
Muito poucos dão valor ao cerebro que tem, é um fato triste. As vezes fico tão revoltada que tenho vontade de matar esse tipo de pessoa, doar os orgãos para quem precisa, pq o cérebro tá la de enfeite.
E eu ainda quero ser professora ^^

paraffinè; disse...

eu escrevi sua carta baseada nisso. daí eu mando e cê lê o comentário ;)

bloody alice e tal.